Radicalizado há mais de 10 anos em França, Márcio Faraco é violinista, compositor, produtor e cantor .
No seu currículo tem participações com nomes como Compay Segundo, Wagner Tiso, Quincy Jones, Nana Caymmi, Milton Nascimento e Trio Jobim, entre outros. Márcio é bem conhecido no circuito de festivais de jazz da Europa e também faz espectáculos regulares com a sua banda nos Estados Unidos e Japão.
O seu primeiro álbum Ciranda, lançado em 2000 conta com a produção do próprio e intrepreta um dueto com umas das maiores referências da MPB, Chico Buarque.
Agenciado em Portugal pela Espelho de Cultura para a memória fica o extraordinário espectáculo que Faraco deu no Santiago Alquimista a 24 de Maio de 2007. No palco, esteve acompanhado por nomes como Philippe Baden Powell no piano, Gerson Saeki no baixo, Julio Gonçalves na percurssão e Christophe de Oliveira na bateria, onde apresentou o álbum "Invento".
Em 2008 e a propósito dos 50 anos da Bossa Nova, Márcio Faraco apresentou juntamente com Milton Nascimento, Jobim Trio entre outros uma série de concertos comemorativos da efeméride na Europa.
O Tempo
Para todos os que conhecem o incontornável "Famous Blue Raincoat", tema pertencente ao álbum Songs of Love & Hate de Cohen e canção Anglo-Saxónica do século XX, sabe que todos os países têm que ter o seu Leonard Cohen; o Brasil terá essa personificação em Márcio Faraco. Isto, porque cada um dos temas que dá corpo a este novo trabalho é um exemplo de fineza e de frágil balanço entre gentileza e seriedade; o que nos poderá parecer por momentos desprendimento ou indiferença, não é nada mais, nada menos que uma forma de "escutar de ouvido" para um músico que se destaca na arte do esboço das canções.
A ternura, o respeito pelos outros e um sentimento de reserva são as marcas de Márcio Faraco, livre de Pathos, mas sempre com traços das suas influências mais marcantes como é o caso de João Gilberto, António Carlos Jobim e Vinícius de Moraes.
"O Tempo" evoca o som primitivo de uma certa música Portuguesa - a saudade expressa pelo Fado, misturada com sonoridades vindas de África e de Cuba. Os temas são sempre autobiográficos e conduzem-nos numa viagem intimista, através do tempo e das memórias de Márcio Faraco. Por exemplo, "Constantina", tema que se refere à governanta da casa do cantor, versa sobre a descoberta de uma mulher humilde que Márcio imagina a descobrir o mar pelos seus olhos.
A maior parte das letras foram escritas em parceria com uma grande diversidade de letristas, sempre com o intuito de trocar mundos e experiência, no entanto, a música serve sempre de elo de ligação, orientada para a continuidade. Uma das participações mais queridas neste disco é com toda a certeza a do percussionista Júlio Gonçalves que toca com Márcio há 20 anos.
"O Tempo" foi como não podia deixar de ser, gravado no Rio de Janeiro, local perfeito para a pureza da voz e guitarra de Márcio Faraco. Mas se era para Márcio ganhar esta aposta, tornavasse vital que estivesse no país de João Gilberto - inquestionavelmente rei do seu estilo. Porém, nada foi simples, já que o músico teve que fazer antecipadamente duas viagens para levar para o Brasil as 6 guitarras com que desejava gravar (Márcio gravou parte deste novo álbum com um guitarra de dez cordas duplas conhecida como a Viola Caipira).
O estúdio sendo em Niterói, do outro lado da Baía do Rio de Janeiro, obrigou Márcio Faraco a fazer 50 quilómetros todos os dias e quando voltava à noite, pela ponte Rio/Niterói, esta estava estranhamente deserta. É fato que desde que o Governo organizou violentas ofensivas contra o tráfico de droga nesta zona, que ninguém se atreve a frequentar Niterói ou a ponte durante a noite.
"O Tempo" é assim fruto de um caminho atribulado, por vezes difícil que em nada deixa adivinhar a sua subtileza e serenidade, a paz consigo próprio e o mundo!
"Um Rio"
Márico Faraco deu à estampa em 2008 o seu quinto álbum onde contínua a tradição da bossa nova no século XXI, sempre com os pioneiros bem presentes como se continuasse um legado, uma importante herança que precisa de continuar viva.
Márcio conta com a colaboração de Milton Nascimento em "Cidade Miniatura", e num disco suave e minimalista, Faraco dá-nos uma série de temas cuidados, mais parecem poemas musicados.
Conta também com o piano omnipresente de Philippe Baden Powell, um guia sublime que se estende por todo o álbum. Musica "O Guardador de rebanhos" de Alberto Caeiro e faz de conta que o Fernando Pessoa e seus heterónimos também passearam pela Bossa Nova.
Recupera Edith Piaf com o tema "A Quoi Ça Sert L´Amour" e dá-nos uma Piaf sofredora, mas tropical e quente.
"Um clássico da bossa nova, saído com meio século de atraso", Nuno Pacheco, in ípsilon
"Fleuve Tranquile" é como se intitula a reportagem sobre Márcio na edição de Novembro/Dezembro da revista de world music Mondomix, a propósito dos 50 anos da bossa nova e poderá ser isso mesmo que a audição de Um Rio nos suscita.
Uma viagem calma e doce pela actualidade da bossa nova!
Em 2009 Márcio Faraco apresentou "Um Rio" num concerto inesquecível no Instituto Franco-Portuguê.
O nosso país recebeu mais uma visita de Márcio Faraco em 2010 com duas sessões esgotadas no OndaJazz acompanhado apenas pelo suave piano de Philippe Baden Powell.
2011 será o ano de edição do seu sexto álbum, a visita ao nosso país está mais que garantida.
Biografia
O primeiro álbum de Márcio Faraco dá pelo nome de "Ciranda" e foi dado à estampa no ano de 2000 pela Universal. Na Europa, Ciranda vendeu mais de 60 mil cópias, número bastante expressivo para um cantor estreante e a "jogar fora de casa".
Em França, além de continuar a sua carreira de cantor, não deixou de produzir álbuns de outros artistas como é o caso da cantora francesa Clementine. Nessa mesma altura, assina um contracto de exclusividade com a Universal Music Jazz France, do qual sai Ciranda em 2000.
Em 2000 e no ano seguinte, Márcio não parou e seguiu-se uma tournée considerável pela Europa, Canadá e Estados Unidos. As críticas não poderiam ter sido melhores e o maior elogio chegou num entusiástico artigo do New York Times, aquando do espectáculo que deu no mítico clube Blue Note, em Nova York.
Nascido em 1963 em Alegrete, cidade do sul do Brasil, Márcio cedo conheceu as especificidades e variedades do seu país natal. Com um pai militar, Faraco cresceu a mudar de cidade frequentemente.
Em 1992 quando foi viver para Paris trabalhou com o cantor Didier Sustrac e com o Trio Esperança. Em 1994, participou num especial dedicado ao Brasil, no programa Taratata, na televisão brasileira e conheceu Chico Buarque.
Este encontro deu frutos! Dois duetos com Chico em "Ciranda" e um convite por parte de Almir Chediak para gravar uma faixa no songbook de António Carlos Jobim.
De lá para cá, Márico Faraco revelou-se um músico profícuo e exigente na sua forma de estar na música e seguindo a tradição dos artistas brasileiros, produz música assiduamente, respira canções e bossa nova!
"Interior" foi o registo que se seguiu. Neste registo, Márcio passeia por sambas, bossas com toques jazzísticos e baladas, sempre com extremo cuidado a escolher as letras. Apelidado como um álbum mais introspectivo que o primeiro, Márcio favorece em todo o registo os sons acústicos dos instrumentos presentes.
A Interior seguiu-se "Com Tradição", registo que apresentou em Portugal no ano de 2006. No ano a seguir lança "Invento" e inicia a sua parceria com a editora francesa Le Chant Du Monde. Álbum que apresentou no Santiago Alquimista, em Lisboa numa produção Espelho de Cultura.
2008 é o ano da consagração com o lançamento de "Um Rio", Márcio Faraco revela-se um artista maduro, certo no caminho que quer seguir pela música brasileira e apesar de longe de casa, contínua a seguir com atenção a música do seu país natal e dar-nos a conhecer a sua bossa nova!
Em 2011 lança "O Tempo" pelo selo Le Chante Du Monde, da prestigiada Harmonia Mundi.